terça-feira, 30 de junho de 2009

"FEIJÕES PARA OS OBEDIENTES, BALÁZIOS PARA OS OUTROS"

Este era o lema do general Rios Mott, ditador da Guatemala em 1982-1983, um ex-aluno da Escola das Américas. Entre outros militares latino americanos que lá se graduaram estão :- -ditadores, como os generais Galtieri (Argentin), Banzer (Bolivia) e Noriega (Panamá) ;- - os oficiais fundadores da Los Zetas, exercito de mercenários a serviço dos narcotraficantes do Mexico ;-- em El Salvador, Robert d´Aubuisson, chefe da Mano Blanca, que assassinou o arcebispo defensor dos pobres, don Oscar Romero, 3 dos 5 oficiais que assassinaram um grupo de freiras americanas e 19 dos 29 executores de 6 jesuitas ;-- na Guatemala, o general Manuel Callejas, chefe da Inteligência Militar, responsável pela liquidação de milhares de oposicionistas ;- -na Colombia, 105 dos 249 oficiais denunciados por crimes contra o povo pelo Tribunal dos Direitos Humanos.
A Escola das Americas foi fundada em 1946 como uma espécie de pós-graduação em contra insurgência. Para o site liberal americano Third World Traveller :”...seus cursos ensinam militares das nações do terceiro mundo a subverter a verdade, calar líderes sindicais, ativistas clérigos e jornalistas e a fazer guerra a seu próprio povo. Ela os prepara para subjugar as vozes dos dissidentes e submeter os contestadores. Ela os instrui em técnicas para marginalizar os pobres, os famintos e os desapossados. Ela os ensina como acabar com as liberdades e aterrorizar seus próprios concidadãos. Ela os treina para destruir as esperanças de democracia.”
Entre 1946 e 1960,a Escola das Américas treinou mais de 61 mil militares e policiais latino-americanos. Em 1996, foram tornados públicos manuais contendo técnicas sobre informações pelo medo, gratificações por inimigos mortos, torturas, execuções e rapto. Diz o deputado Joseph Kennedy (filho de Bob Kennedy) :”Esses manuais ensinavam táticas que parecem vir de um Gulag soviético e não tem lugar numa sociedade civilizada”. O Pentágono acabou por suprimi-los. Hoje, ela ainda existe mas ,apesar dos seus currículos menos agressivos, grupos liberais americanos insistem no seu fechamento.

HONDURAS : CRIATURAS CONT'RA OS CRIADORES

Fazendeiro próspero e membro do Partido Liberal, Manuel Zelaya deixou seus aliados chocados quando, na presidência deu uma virada. Desdenhou acertar um Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos, preferindo entrar na Alba, juntando-se à Venezuela, Cuba, Bolivia, Nicaragua e alguns outros países centro-americanos. Não contente, decretou um grande aumento do misérrimo salário-mínimo do país. Por fim, propôs uma consulta ao povo, não-oficial, sobre uma nova constituição que substituísse a vigente, elaborada sob medida para agradar aos grandes proprietários, como a Chiquita, nome atual da notória United Fruit.
Era inaceitável para os grupos econômicos e seus prepostos militares que dominavam Honduras desde sua independência no século19. Surpresa ! O governo americano fez tudo para convencer esse pessoal, bons amigos desde sempre, a respeitarem o mandato de Zelaya. E, surpresa maior ! Eles não obedeceram.
Como se viu, Obama corretamente condenou o golpe e exigiu o retorno de Zelaya. Talvez lamentando a herança maldita do imperialismo com que ele tem de se haver. No caso, a Escola das Américas, onde se formaram dois dos principais generais que lideraram o golpe.
A Escola das Américas foi fundada pelos Estados Unidos em 1946 com o objetivo de influenciar oficiais do exército e da polícia dos países latino-americanos contra as idéi1as nacionalistas e esquerdistas, além de treiná-los na repressão de movimentos nelas inspirados. Da Escola saíram os mais violentos e sanguinários militares, responsáveis por golpes de estado e assassinatos políticos em quase todos os países latino-americanos.
O pessoal da Escola das Américas atuou com desenvoltura até os últimos anos da Guerra Fria, com exceção do período do presidente Jimmy Carter, quando os Estados Unidos realmente procuraram defender a democracia e os direitos humanos no Continente.
Obama não deseja mais voltar a esses tempos tenebrosos. Mas, para recuperar a democracia em Honduras, condenações verbais não bastam

segunda-feira, 29 de junho de 2009

ADEUS, DIPLOMACIA

Pensando no público interno, Barack Obama desistiu de fumar o cachimbo da paz com os aiatolás e elevou o tom de voz. Abandonando a neutralidade que vinha mantendo, ele condenou severamente a repressão aos protestos da oposição iraniana. Com isso, as coisas esquentaram e a diplomacia, aparentemente, foi para o espaço.
Aconteceu na quinta-feira. E nos días seguintes, a artilharia de Obama disparou. Chamou de”ultrajante” a repressão iraniana. Declarou que Ahmadinejad” “deveria olhar pelas famílias daqueles que ele agrediu, alvejou ou prendeu.”
Finalmente, para a alegria dos rapazes do Partido Republicano, dos lobbies pré-Israel e do próprio Netanyu, que anteviam a volta a política de “todas aas opções estão sobre a mesa”, Obama afirmou que seus planos de discutir as ambições nucleares do Irã, num clima amigável, poderiam se abordar de acordo com a solução da crise iraniana.
O governo do Irã também aabriu fogo. Acusou os Estados Unidos de estarem “pondo lenha na fogueira”, inclusive, financiando as manifestações. Não parece tão absurdo assim, afinal Bush tinha um programa, através da USAID, que distribuía a oposicionistas iranianos 75 milhões de dólares. O objetivo era estimular a democracia, embora esse dinheiro fosse para terroristas que operavam, lançando bombas, assassinando e raptando. Segundo o jornalista, Jason Ditz, do site “anti war”(de 26 de junho), a Casa Branca e o Departamento de Estado seriam favoráveis à reativação desse programa, limitado a 20 milhões de dólares, cujos destinatários seriam líderes da oposição em vez de terroristas.
Indo além, o embaixador do Irã no México, acusou a CIA,ou alguma entidade conexa, de ter matado a jovem vitimada nas manifestações para lançar as culpas sobre o governo. O projétil que a alvejara seria de uma arma de pequena calibre que as forças de segurança não usam. E duas testemunhas, inclusive um amigo da jovem, garantiram que não havia polícia ou “basijis” na área. É inegável que isso levanta dúvidas.
Já no sábado e no domingo, entrou o pessoal do “deixa disso”- os grupos pró negociações pacíficas com o Irã.
O representante de Obama junto aos aiatolás, David Axelrod afirmou que ainda havia chances para a diplomacia. O que Susan Rice, embaixadora dos Estados Unidos na ONU, afirmou “ser do interesse nacional dos Estados Unidos.”

sexta-feira, 26 de junho de 2009

COMERCIO EXTERIOR ARGENTINO VAI BEM

Enquanto o Brasil amarga déficits sucessivos no seu comercio externo, devido ao real valorizado pelo mercado livre (com aplausos do FMI), acontece o contrario na Argentina.
Em maio, houve um superavit recorde, com as exportações superando as importações em 2,478 bilhões de dólares, 140% mais do que no mesmo mês de 2008. No período janeiro/maio de 2009, o saldo foi 8,333 bilhões de dólares, 63% mais do que no mesmo período de 2008.
Esse resultado foi conseguido graças à política de interveção estatal, iniciada por Nestor Kirchner, que manteve o peso desvalorizado, melhorando a competitividade dos productos de exportação argentinos.

PROJETO KIRCHNER EM PERIGO

Domingo, a Argentina elege metade da Câmara e um terço do Senado. E o projeto dos Kirchner, até agora sustentado pela maioria das duas Casas, corre riscos. Nas últimas 5 pesquisas, na provincia de Buenos Aires, o maior colégio eleitoral do país ,com 37% dos votos, o governo obtinha entre 34 e 38% das intenções. A oposição de direita, entre 29 e 34%, a coalizão de radicais e social demócratas, entre 16 e 21% e os demais partidos, inclusive grupos esquerdistas, entre 5 e 8%.. Mantendo-se esse resultado, o governo prcisará do apoio da esquerda para governar. O que não será fácil de conseguir apesar das afinidades ideológicas entre os dois lados. Afinal,o projeto Kirchner é nacionalista, com intervenção estatal na economía, visando a promoção das classes pobres. Mas as relações estão azedadas, os políticos esquerdistas consideram o casal Kirchner populistas e oportunista.
No seu governo, Nestor Kirchner rompeu com o FMI e seus principios neoliberais, forçando a baixa dos juros e a valorização do dólar para facilitar as exportações, e a renegociação da dívida externa em condições extremamente favoráveis. No plano interno, estatizou empresas de serviços públicos que funcionavam mal. Com isso, nos 5 anos do seu mandato, a Argentina cresceu cerca de 50%, o desemprêgo caiu de 20% para 9%e E a pobreza de 54% para 23%.
Sua sucessora, Cristina Kirchner antagonizou-se com as clases empresariais.
Primeiro com os latifundiários. Ela quiz aumentar a taxação sobre as exportações de commodities. A reação foi um locaute que privou as cidades de alimentos de primeira necessidade. Contando com o apoio da maior parte da mídia, os produtores coseguiram jogar a população contra Cristina. A isso somou-se a inflação, que chegou a dois digitos, e uma seca sem precedentes, que reduziu consideravelmente a safra de cereais.Como resultado, no início da campanha eleitoral, a imagen de Cristina estava em forte queda : de 60 para 30%.
Novos problemas surgiram quando Chavez nacionalizou 3 empresas da Technit, maior multinacional do país, e empresarios urbanos de todos os setores reclamaram de uma suposta inércia do governo na defesa dos intereses argentinos. Os protestos se ampliaram quando Cristina forçou a disrtibuidora de energía Edesur a investir seus lucros ao invés de convertê-los em dividendos.
Baseando-se nesses fatos e nas restatizações da Previdência Social e das Aerolineas Argentinas, a oposição de direita passou a atacar o intervencionismo estatal, acoimando-o de chavismo”.
Aparentemente, não pegou bem já que, na semana da eleição, o deputado federal Narvaez, líder dos partidos de direita, numa incrível reviravolta, passou a defender a estatização de todos os serviços públicos e empresas de energia, inclusive a Yacimientos Petrolíferos.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

FLORES NO AFEGANISTÃO.ESPINHOS NO PAQUISTÃO.

O novo comandante das tropas americanas no Afeganistão, general Stanley McChristal, tem um passado pouco recomendável. Ele chefiou o Joint Special Operations Command, unidade secreta (só prestava contas ao ex-vice Cheney), dedicada ao assassinato de inimigos dos Estados Unidos, e o Camp Nama, no Iraque, conhecido por suas violências.
Mas ele se enquadrou nas idéias do presidente Obama ao impor normas altamente restritivas aos bombardeios de aldeias afegãs, que tantos civis vinham vitimando.
Parece que seus propósitos humanitários não passaram a fronteira com o Paquistão. Quem passou foram aviões sem piloto americanos que despejaram bombas sobre uma procissão de enterro. O alvo era Mehsud, importante chefe talibã ,mas ele já tinha saído e quem morreu foram, pelo menos, 80 paquistanis, dos quais só 5 eram talibãs.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

PRESSÕES FAZEM OBAMA ERRAR

O anti-americanismo é generalizado na população do Irã.
Motivos não faltam. Os Estados Unidos foram, em 1953, co-responsáveis por um golpe contra o governo do primeiro-ministro Mossadegh, que acabou com a democracia iraniana. O próprio presidente Obama admitiu isso no discurso do Cairo :”No meio da Guerra Fria,os Estados Unidos desempenharam um papel na derrubada de um governo iraniano democraticamente eleito.”
Esse golpe de estado, executado pelos serviços secretos americanos e ingleses, implantou a ditadura do xá e sua selvagem polícia política.
Em 1980, o governo do presidente Reagan forneceu armas e serviços de inteligência a Saddam Hussein na guerra do Iraque contra o Irã, que fez um milhão de vítimas.
Em 1988, a fragata USS Vincennes, patrulhando o Golfo Pérsico, disparou, por engano, um míssil contra um avião de passageiros iraniano, matando todos a bordo.
Finalmente, em todo o governo Bush, o presidente e outras autoridades civis e militares fartaram-se de, direta ou indiretamente, ameaçar bombardear o Irã. E, com financiamento e assessoria dos serviços de inteligência americanos, atentados terroristas foram realizados no norte do Irã.
Por isso mesmo, para evitar que o movimento pela anulação das eleições fosse marcado com o desfavorável apodo de “americanista”, o presidente Obama manteve-se neutro diante dos acontecimentos de Teerã. No máximo, limitou-se a “deplorar”, evitando condenar o governo do Irã. Mesmo por que não desejava brigar com ele, agora que se esboçava uma melhoria no relacionamento Estados Unidos-Irã.
A reação da direita americana, representada pelo Partido Republicano, os lobbies pró-Israel e parte dos congressistas democratas, com apoio da maioria da mídia, condenou severamente a postura de Obama, tachando-a de “fraca” e covarde. A verdadeira razão é outra : esses grupos não desejam a aproximação dos Estados Unidos com o Irã. Queriam que Obama fosse duro contra o governo dos aiatolás para forçar uma radicalização do atual antagonismo, que tornasse inócua a solução diplomática em favor da linguagem das ameaças e das bombas.
Obama acabou cedendo à pressão. Elevou seu tom de voz, abandonou a neutralidade, chegou até a admitir terem sido as eleições roubadas.
Com isso, enfraqueceu a oposição iraniana, deu motivos para Kamenei e Ahmedinejad rotulá-la de “americanista”. E tornou sombrias as perspectivas de acordo na questão nuclear, que até agora pareciam róseas.