Revela o Wall Street Journal que, em 5 de dezembro, o Talibã enviou a empresas jornalísticas um e-mail que dizia: ”Não está em nossa agenda intervir nos assuntos internos de outros países e estamos prontos a fornecer garantias legais disso se as forças estrangeiras se retirarem do Afeganistão.”
Para os analistas, estaria implícita nessas “garantias legais” a proibição do uso do território pela Al Qaeda como base para praticar ações terroristas em outros países. Sem a Al Qaeda, a guerra se tornaria desnecessária. Maravilha, não?
Não.
Em entrevista à cadeia de TV ABC, Hillary saiu com essa:” Pedimos ao mulá Omar (o chefe do Talibã) que renunciasse às relações com Bin Laden depois do atentado de 9 de setembro e ele não aceitou. Não sei por que ele haveria de mudar de idéia agora”.
Na verdade, sabe-se que as razões podem ser várias: desinteligências (já comprovadas) com a Al Qaeda tornariam exagerado o preço pago para o Talibã defendê-la; preponderância dos elementos moderados sobre os radicais; confiança em que, sem as forças estrangeiras, o corrupto governo Kasai cairia facilmente.
O que não se sabe é porque Hillary desdenhou uma proposta que evitaria a morte de muitos soldados americanos, além de gastos orçados em 100 bilhões de dólares anuais.
Alguns analistas acreditam que a esnobação de Hillary seria uma estratégia para os EUA negociarem em posição privilegiada e assim poderem fazer exigências como: expulsão da Qaeda do território afegão (e não simples proibição); desarmamento das milícias talibãs; compromisso de se integrarem na legalidade como partido político, etc
Mas há outra hipótese.
O complexo industrial-militar, que, com a guerra está lucrando horrores, não estaria disposto a aceitar uma retirada brusca que acabaria com sua festa.
Obama, através de Hillary, estaria manobrando com cuidado para, aos poucos, conseguir dobrar prováveis reações contra a paz.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
BAIXAS NAS GUERRAS DO ORIENTE
Até 12/12/2009
IRAQUE :
-soldados americanos mortos – 4.371
-idem de outras nações - 325
-idem de seguranças- 1.395
Total - 6.091
- soldados americanos feridos - entre 31.382(dados oficiais) e 100.00 (estimativa)
AFEGANISTÃO:
- soldados americanos mortos- 934
-idem de outros países da OTAN 604
Total 1.538
IRAQUE :
-soldados americanos mortos – 4.371
-idem de outras nações - 325
-idem de seguranças- 1.395
Total - 6.091
- soldados americanos feridos - entre 31.382(dados oficiais) e 100.00 (estimativa)
AFEGANISTÃO:
- soldados americanos mortos- 934
-idem de outros países da OTAN 604
Total 1.538
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
O NOBEL DA GUERRA
Hoje, 10 de dezembro, Barack Obama recebe o Prêmio Nobel da Paz.
Há poucos dias, ele anunciou o envio de mais 30 mil soldados americanos para a guerra do Afeganistão, ao mesmo tempo, em que pediu a seus aliados mais 10 mil. No total serão 150 mil homens, lançados numa guerra sem propósito, cujo inimigo principal, segundo o próprio Obama, a Al Qaeda, não conta com mais de 100 combatentes, conforme os generais McChrystal, comandante em chefe no Afeganistão, e Jones, assessor de política internacional.
Há poucos meses, Obama negou-se a assinar o tratado para banir as minas terrestres, responsáveis pela morte ou perda de membros de milhões de civis em todo o mundo. Os EUA não as produzem mais, mas o presidente insiste em manter um arsenal de 10 milhões de minas terrestres. Prontas para entrar em ação.
Mesmo com estas ponderáveis contribuições á causa da guerra, Obama levou o Nobel da Paz. Seria cômico se não fosse trágico.
Há poucos dias, ele anunciou o envio de mais 30 mil soldados americanos para a guerra do Afeganistão, ao mesmo tempo, em que pediu a seus aliados mais 10 mil. No total serão 150 mil homens, lançados numa guerra sem propósito, cujo inimigo principal, segundo o próprio Obama, a Al Qaeda, não conta com mais de 100 combatentes, conforme os generais McChrystal, comandante em chefe no Afeganistão, e Jones, assessor de política internacional.
Há poucos meses, Obama negou-se a assinar o tratado para banir as minas terrestres, responsáveis pela morte ou perda de membros de milhões de civis em todo o mundo. Os EUA não as produzem mais, mas o presidente insiste em manter um arsenal de 10 milhões de minas terrestres. Prontas para entrar em ação.
Mesmo com estas ponderáveis contribuições á causa da guerra, Obama levou o Nobel da Paz. Seria cômico se não fosse trágico.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
ISRAEL VIOLA SEU PRÓPRIOCONGELAMENTO
Há alguns dias, o Primeiro ministro Netanyahu, anunciou o congelamento por 10 meses de novos assentamentos. Esclareceu que não incluía, aqueles em construção e mesmo os cujo planejamento já fora aprovado embora ainda não tivessem saído do papel. Assentamentos em Jerusalem Oriental – região de maioria palestina – não estavam incluídos na proibição.
Mas, mesmo esse congelamento apenas parcial não foi respeitado.
Os colonos israelenses protestaram energicamente. Numa reunião entre o Ministro da Defesa, Ehud Barak e diversos prefeitos de assentamentos, o governo decidiu aprovar diversas novas construções antes incluídas na proibição.
Mas, mesmo esse congelamento apenas parcial não foi respeitado.
Os colonos israelenses protestaram energicamente. Numa reunião entre o Ministro da Defesa, Ehud Barak e diversos prefeitos de assentamentos, o governo decidiu aprovar diversas novas construções antes incluídas na proibição.
1 CONTRA 1.500
Justificando a guerra do Afeganistão, Obama disse que era necessária para destruir a Al Qaeda, cuja extrema periculosidade fora provada no atentado de 11 de setembro.
Daí o recente envio de mais 30 mil soldados, ao custo de 30 bilhões de dólares, para combater essa terrível ameaça.
Os homens da Al Qaeda devem ser portentosos, verdadeiros super-vilões, pois segundo o assessor de política internacional de Obama, o general James Jones e o serviço de inteligência dos EUA, eles não passam de100, em território afegão. Somando-se os reforços, teremos 150 mil soldados estrangeiros, o que dará 1.500 contra cada elemento da Al Qaeda.
Claro, não pusemos os talibãs nesta conta pois eles não representam ameaça alguma para o povo dos EUA. São apenas um movimento nacionalista que luta para expulsar as tropas que invadiram seu país. Podemos não gostar deles - são mesmo uns caras atrasados e violentos – mas Obama pouparia muitas vidas e muitos bilhões de dólares se fizesse um acordo com essa turma. Os EUA e aliados cairiam fora e os talibãs não deixariam a Al Qaeda atuar no Afeganistão. Os talibãs até que topariam – sabe-se que não estão se dando nada bem com o pessoal de Bin Laden. Quem não toparia seria o complexo industrial-militar, para quem a guerra é o Bem supremo
Daí o recente envio de mais 30 mil soldados, ao custo de 30 bilhões de dólares, para combater essa terrível ameaça.
Os homens da Al Qaeda devem ser portentosos, verdadeiros super-vilões, pois segundo o assessor de política internacional de Obama, o general James Jones e o serviço de inteligência dos EUA, eles não passam de100, em território afegão. Somando-se os reforços, teremos 150 mil soldados estrangeiros, o que dará 1.500 contra cada elemento da Al Qaeda.
Claro, não pusemos os talibãs nesta conta pois eles não representam ameaça alguma para o povo dos EUA. São apenas um movimento nacionalista que luta para expulsar as tropas que invadiram seu país. Podemos não gostar deles - são mesmo uns caras atrasados e violentos – mas Obama pouparia muitas vidas e muitos bilhões de dólares se fizesse um acordo com essa turma. Os EUA e aliados cairiam fora e os talibãs não deixariam a Al Qaeda atuar no Afeganistão. Os talibãs até que topariam – sabe-se que não estão se dando nada bem com o pessoal de Bin Laden. Quem não toparia seria o complexo industrial-militar, para quem a guerra é o Bem supremo
POVO AMERICANO CONTESTA INTERVENCIONISMO
Ampla pesquisa, recentemente realizada pelo Pew Research Center, mostra uma mudança no povo americano que passa a contestar as aventuras imperiais dos governos do seu país.
Para 49% (contra 44), os EUA deveriam preocupar-se com seus assuntos e deixar que os demais países cuidassem dos deles. Foi a primeira vez em mais de 40 anos de pesquisas que os “internacionalistas” eram em menor número.
Coerentemente, o aumento de tropas para o Afeganistão foi rejeitado por 40 a 32%.
E as prioridades de política interna são dominantes : proteger os empregos – 85%; combater o tráfico de drogas; reduzir a imigração ilegal -46%-
41% contra 25% consideraram que os EUA estão mais fracos no concerto mundial do que há 10 anos atrás.
Dentro dessa ordem de idéias, a maioria (57 x 36) acha que o exército americano vai mal na guerra do Afeganistão.
O terror deixou de ser o bicho papão principal. Apenas 11% consideram-no uma grande ameaça, enquanto 56% o minimizam.
Esses resultados vão na mesma linha dos apresentados em pesquisas anteriores que condenaram tanto a guerra do Afeganistão, quanto a do Iraque.
Obama deveria prestar maior atenção á voz da rua ao invés de continuar tão sintonizado com os rugidos das Fôrças Armadas e da indústria de armamentos e seus seguidores no Legislativo, que clamam pela continuidade das intervenções militares da Casa Branca.
Para 49% (contra 44), os EUA deveriam preocupar-se com seus assuntos e deixar que os demais países cuidassem dos deles. Foi a primeira vez em mais de 40 anos de pesquisas que os “internacionalistas” eram em menor número.
Coerentemente, o aumento de tropas para o Afeganistão foi rejeitado por 40 a 32%.
E as prioridades de política interna são dominantes : proteger os empregos – 85%; combater o tráfico de drogas; reduzir a imigração ilegal -46%-
41% contra 25% consideraram que os EUA estão mais fracos no concerto mundial do que há 10 anos atrás.
Dentro dessa ordem de idéias, a maioria (57 x 36) acha que o exército americano vai mal na guerra do Afeganistão.
O terror deixou de ser o bicho papão principal. Apenas 11% consideram-no uma grande ameaça, enquanto 56% o minimizam.
Esses resultados vão na mesma linha dos apresentados em pesquisas anteriores que condenaram tanto a guerra do Afeganistão, quanto a do Iraque.
Obama deveria prestar maior atenção á voz da rua ao invés de continuar tão sintonizado com os rugidos das Fôrças Armadas e da indústria de armamentos e seus seguidores no Legislativo, que clamam pela continuidade das intervenções militares da Casa Branca.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
OPOSIÇÃO IRANIANA REJEITA NOVO ACORDO NUCLEAR
Aprovado pela delegação iraniana à reunião de Genebra, o acordo proposto pelas potências do Conselho de Segurança mais a Alemanha está sendo combatido pela oposição reformista.
Depois de extensas discussões internas, o governo concorda que o Irã envie o seu urânio com leve enriquecimento para a Rússia e a França onde seria enriquecido a até 20% - suficiente para usos pacíficos mas não para produzir bombas. Só exige garantias de que receberá todo o urânio a que tem direito. Ou fazendo a troca, em pequenas quantidades, em território iraniano ou usando como intermediário um país confiável, no caso, a Turquia.
A oposição reformista, protagonista das maciças demonstrações populares contra as eleições que abalaram o regime, é radical na sua rejeição.
Houssein Moussawi, ex-candidato a presidente e principal líder oposicionista, declarou :”Se o acordo de Genebra for implementado pelo Irã, ele destruirá o trabalho e as conquistas (a descoberta das técnicas de enriquecimento de urânio) de milhares de cientistas. Se não for, criará consenso para serem impostas sanções por demais pesadas sobre o Irã. Eles (a linha dura dos aiatolás) constantemente acusam os reformistas de terem laços com o Ocidente mas eles próprios se curvam abertamente diante dos EUA (para conseguir um acordo com eles).
Para Ebrahim Yazdi, líder do Movimento Pela Liberdade (um partido reformista), trata-se de um acordo sem sentido :”O Irã investiu bilhões de dólares no enriquecimento do urânio e agora vai fazer isso (enviar o urânio enriquecido para a Russia e França) ? Não é do interesse nacional que esta crise nuclear persista. Como o Irã já sugeriu, deveria ser organizado um consórcio internacional no Irã para enriquecer o urânio aqui, não mandá-lo para a Rússia ou outro país.”
Por sua vez, o aiatolá Rafssanjani, ex-presidente do Irã, também um líder reformista de destaque, enviou carta ao Supremo Líder Khamenei, lembrando o alto custo do programa de enriquecimento de urânio desenvolvido pelo país, dinheiro que seria jogado fora caso o acordo fosse aprovado. Daí sua posição contrária.
Até os políticos exilados são contra. Como Etemad, ora vivendo na França :”Eles (as potências) querem pegar o urânio do Irã. Não há garantias de que a Rússia e a França, se receberem o urânio iraniano, o devolverão (enriquecido). Eles já quebraram seus compromissos no passado.”
Nada disso parece estar sendo levado em conta pelos estadistas americanos e europeus. Eles sequer aceitam a proposta iraniana de fazer as trocas em pequenas quantidades – não todo de uma vez – em solo iraniano ou de um país confiável.
Ciente disso, El Baradei, presidente do IAEA (braço da ONU que controla os projetos nucleares) apelou ao governo do Irã para que aceite o acordo tal como foi proposto em Genebra.
Difícil. Ainda que queira, Ahmadinejad teria contra, não só grande parte dos grupos que o apóiam, com também a maioria da oposição. Praticamente todo o país, portanto.
E com fundadas razões como as que aparecem expostas acima.
Depois de extensas discussões internas, o governo concorda que o Irã envie o seu urânio com leve enriquecimento para a Rússia e a França onde seria enriquecido a até 20% - suficiente para usos pacíficos mas não para produzir bombas. Só exige garantias de que receberá todo o urânio a que tem direito. Ou fazendo a troca, em pequenas quantidades, em território iraniano ou usando como intermediário um país confiável, no caso, a Turquia.
A oposição reformista, protagonista das maciças demonstrações populares contra as eleições que abalaram o regime, é radical na sua rejeição.
Houssein Moussawi, ex-candidato a presidente e principal líder oposicionista, declarou :”Se o acordo de Genebra for implementado pelo Irã, ele destruirá o trabalho e as conquistas (a descoberta das técnicas de enriquecimento de urânio) de milhares de cientistas. Se não for, criará consenso para serem impostas sanções por demais pesadas sobre o Irã. Eles (a linha dura dos aiatolás) constantemente acusam os reformistas de terem laços com o Ocidente mas eles próprios se curvam abertamente diante dos EUA (para conseguir um acordo com eles).
Para Ebrahim Yazdi, líder do Movimento Pela Liberdade (um partido reformista), trata-se de um acordo sem sentido :”O Irã investiu bilhões de dólares no enriquecimento do urânio e agora vai fazer isso (enviar o urânio enriquecido para a Russia e França) ? Não é do interesse nacional que esta crise nuclear persista. Como o Irã já sugeriu, deveria ser organizado um consórcio internacional no Irã para enriquecer o urânio aqui, não mandá-lo para a Rússia ou outro país.”
Por sua vez, o aiatolá Rafssanjani, ex-presidente do Irã, também um líder reformista de destaque, enviou carta ao Supremo Líder Khamenei, lembrando o alto custo do programa de enriquecimento de urânio desenvolvido pelo país, dinheiro que seria jogado fora caso o acordo fosse aprovado. Daí sua posição contrária.
Até os políticos exilados são contra. Como Etemad, ora vivendo na França :”Eles (as potências) querem pegar o urânio do Irã. Não há garantias de que a Rússia e a França, se receberem o urânio iraniano, o devolverão (enriquecido). Eles já quebraram seus compromissos no passado.”
Nada disso parece estar sendo levado em conta pelos estadistas americanos e europeus. Eles sequer aceitam a proposta iraniana de fazer as trocas em pequenas quantidades – não todo de uma vez – em solo iraniano ou de um país confiável.
Ciente disso, El Baradei, presidente do IAEA (braço da ONU que controla os projetos nucleares) apelou ao governo do Irã para que aceite o acordo tal como foi proposto em Genebra.
Difícil. Ainda que queira, Ahmadinejad teria contra, não só grande parte dos grupos que o apóiam, com também a maioria da oposição. Praticamente todo o país, portanto.
E com fundadas razões como as que aparecem expostas acima.
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