A proibição do comandante americano de ataques arriscando a vida de civis continua sendo ignorada.
Na região de Kandahar, um helicóptero bombardeou a casa de uma família, matando 4 pessoas. A NATO insistiu que eles estavam enchendo jarros com plásticos para bombas de estrada. Os sobreviventes garantem que a família dormia e que 3 dos 4 mortos eram crianças, jamais perigosos insurgentes.
No dia seguinte, ainda em Kandahar, outro helicóptero americano lançou mísseis sobre um grupo que se acreditava ser de “militantes carregando uma van com munição.”
Foi uma pequena confusão. As munições eram pepinos e , de acordo com a política local, os “militantes” não passavam de pacíficos fazendeiros.
São fatos graves. Ainda mais grave é a reação do alto comando americano. Por enquanto, limitou-se a apoiar as justificações dos autores destes massacres ao invés de puni-los.
Assim, cada vez mais rápido, um novo Vietnam desenha-se no Oriente Médio.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
ORIENTE MÉDIO: UM ACORDO LEONINO
A Casa Branca pretende apresentar uma proposta para dar um impulso decisivo nas negociações no Oriente Médio.
Segundo Mitchel, o “pacificador” de Obama na região, os países árabes deveriam abrir escritórios comerciais em Telaviv e permitir que a El Al, a linha aérea israelense, sobrevoe seus territórios para cortar caminho nas linhas para a Ásia oriental.
Em troca, Israel congelaria seus assentamentos.
Ótimo para Israel que estabeleceria, de fato, relações comerciais com países árabes para exportação de seus produtos. A El AL também aplaudiria este generoso acordo pois economizaria centenas (ou talvez milhares) de horas de combustível por ano com a redução das distâncias a percorrer pelas aeronaves.
Já os palestinos não teriam muito a ganhar. Afinal, os últimos governos de Israel já haviam concordado (ao menos teoricamente) em ,mais do que congelar os assentamentos, interromper sua expansão de vez. É, aliás, um dos itens do “Mapa do Caminho”, a proposta de paz totalmente aceita pelos israelenses há já bastante tempo.
Resumindo : em troca da concessão de gordas vantagens, os palestinos receberiam menos do que, por acordos anteriores, já teriam direito. Na verdade, nem isso, pois Netanyu e Lieberman acham 1 ano de congelamento demais , batem o pé em 6 meses.
Depois de passar meses falando grosso com Israel, esperava-se bem mais de Barack Obama.
Segundo Mitchel, o “pacificador” de Obama na região, os países árabes deveriam abrir escritórios comerciais em Telaviv e permitir que a El Al, a linha aérea israelense, sobrevoe seus territórios para cortar caminho nas linhas para a Ásia oriental.
Em troca, Israel congelaria seus assentamentos.
Ótimo para Israel que estabeleceria, de fato, relações comerciais com países árabes para exportação de seus produtos. A El AL também aplaudiria este generoso acordo pois economizaria centenas (ou talvez milhares) de horas de combustível por ano com a redução das distâncias a percorrer pelas aeronaves.
Já os palestinos não teriam muito a ganhar. Afinal, os últimos governos de Israel já haviam concordado (ao menos teoricamente) em ,mais do que congelar os assentamentos, interromper sua expansão de vez. É, aliás, um dos itens do “Mapa do Caminho”, a proposta de paz totalmente aceita pelos israelenses há já bastante tempo.
Resumindo : em troca da concessão de gordas vantagens, os palestinos receberiam menos do que, por acordos anteriores, já teriam direito. Na verdade, nem isso, pois Netanyu e Lieberman acham 1 ano de congelamento demais , batem o pé em 6 meses.
Depois de passar meses falando grosso com Israel, esperava-se bem mais de Barack Obama.
MANIFESTANTES DE TEERÃ COMEÇAM A SER OUVIDOS
Os gigantescos protestos populares de Teerã representavam um anseio por reformas no arcaico regime islâmico do Irã. Não foram em vão. Apesar da violenta repressão, o governo demonstra estar sensível a eles. Anuncia-se que Ahmadinejad deverá nomear uma mulher para ministro, o que representa uma verdadeira revolução no país. O presidente já demonstrara um abrandamento em suas posições ao nomear para um alto cargo ,Esfandiar Rahim Mashaie, que havia escandalizado os aiatolás conservadores declarando que o Irã era amigo do povo de Israel. O Líder Supremo, Khamenei, exigiu sua demissão, o que acabou acontecendo, embora o presidente tivesse resistido.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
A DIVISÃO DO IRÃ PÕE EM RISCO A REPÚBLICA ISLÂMICA
Nos célebres “julgamentos de Moscou” da era estalinista, alguns dos principais chefes comunistas confessaram os crimes mais incríveis. Ninguém duvidava que, por traz destas revelações, existisse todo um eficiente “programa” de torturas.
Algo semelhante pode estar acontecendo em Teerã.
No julgamento de 10 líderes das manifestações contra o resultado das eleições, dois deles, Muhamad Abthai, ex-vice presidente, e Muhamad Atrianfar, ex-vice ministro do interior admitiram : sabiam que a vitória de Ahmadinejad fora limpa e conspiraram para conseguir sua anulação.
Para Moussawy, essas confissões foram obtidas depois de 50 dias de torturas medievais, configurando-se um procedimento “anti-islâmico e uma simulação.” Ele lembrou o caráter e o passado dos acusados, que prestaram grandes serviços ao país e o sistema.
A esposa de Abtahi, Fahimed Mousavinejad, garantiu que a confissão de seu marido era falsa: “As coisas que ele disse publicadas pela Fars (agência de notícias local) não eram no estilo de Abtahi”.
Por sua vez, o moderado ex-presidente Khatami disse :”O julgamento no sábado foi um show e as confissões são inválidas. O que foi chamado de “julgamento” foi uma violação da Constiotuição.” E acrescentou um argumento muito sério :”O problema mais importante do processo do julgamento é que ele não se realizou em sessão aberta. Os advogados e réus não foram informados do conteúdo das acusações antes do julgamento.”
Finalmente, um importante político conservador, Mohse Razaci, exigiu que fossem processados também aqueles que atacaram os manifestantes.
O governo não contestou essas afirmações. Limitou-se a ameaçar de prisão quem criticasse os julgamentos. E acusou (sem provas) que muitos deles mantiveram reuniões com agentes estrangeiros, especialmente ingleses.
Até agora, os grupos que mandam no Irã tem se recusado a fazer qualquer concessão. Pelo contrário : insistem em tratar os oposicionistas com mão pesada. Ameaçam, prendem, atiram, possivelmente torturam. Atacam a honra de figuras com passado respeitável e serviços significativos á república islâmica. E esse julgamento começa recheado de suspeitas sobre sua correção.
O resultado é que a república islâmica acha-se irremediavelmente dividida. E no momento mais inconveniente quando setembro se aproxima, o prazo de Obama para se iniciarem as negociações sobre o programa nuclear iraniano. As perspectivas são de que os Estados Unidos não admitirão que o programa iraniano seja pacífico e exijam a interrupção da produção do urânio puro. Forçado por exigências da política interna, Obama mudou de postura e certamente virá com ameaças de retaliações muito mais severas do que as que já foram aplicadas.
Um Irã unido, fortalecido por uma boa imagem internacional, poderia fazer frente a esta ofensiva, propondo intensas supervisões pela insuspeita Agência Internacional de Energia Atômica, que aliás é favorável a esta tese. Seria uma alternativa capaz de ser aceita, especialmente por que teria a seu favor a China e a Rússia.
Um Irã dividido, tendo cerca da metade da população em revolta contra os chefões, com a imagem suja pelos episódios pós-eleitorais, pouca chance terá de ver seu pleito aceito. E aí a pergunta que fica é : nesse contexto, que chances terá a república islâmica de sobreviver ?
Algo semelhante pode estar acontecendo em Teerã.
No julgamento de 10 líderes das manifestações contra o resultado das eleições, dois deles, Muhamad Abthai, ex-vice presidente, e Muhamad Atrianfar, ex-vice ministro do interior admitiram : sabiam que a vitória de Ahmadinejad fora limpa e conspiraram para conseguir sua anulação.
Para Moussawy, essas confissões foram obtidas depois de 50 dias de torturas medievais, configurando-se um procedimento “anti-islâmico e uma simulação.” Ele lembrou o caráter e o passado dos acusados, que prestaram grandes serviços ao país e o sistema.
A esposa de Abtahi, Fahimed Mousavinejad, garantiu que a confissão de seu marido era falsa: “As coisas que ele disse publicadas pela Fars (agência de notícias local) não eram no estilo de Abtahi”.
Por sua vez, o moderado ex-presidente Khatami disse :”O julgamento no sábado foi um show e as confissões são inválidas. O que foi chamado de “julgamento” foi uma violação da Constiotuição.” E acrescentou um argumento muito sério :”O problema mais importante do processo do julgamento é que ele não se realizou em sessão aberta. Os advogados e réus não foram informados do conteúdo das acusações antes do julgamento.”
Finalmente, um importante político conservador, Mohse Razaci, exigiu que fossem processados também aqueles que atacaram os manifestantes.
O governo não contestou essas afirmações. Limitou-se a ameaçar de prisão quem criticasse os julgamentos. E acusou (sem provas) que muitos deles mantiveram reuniões com agentes estrangeiros, especialmente ingleses.
Até agora, os grupos que mandam no Irã tem se recusado a fazer qualquer concessão. Pelo contrário : insistem em tratar os oposicionistas com mão pesada. Ameaçam, prendem, atiram, possivelmente torturam. Atacam a honra de figuras com passado respeitável e serviços significativos á república islâmica. E esse julgamento começa recheado de suspeitas sobre sua correção.
O resultado é que a república islâmica acha-se irremediavelmente dividida. E no momento mais inconveniente quando setembro se aproxima, o prazo de Obama para se iniciarem as negociações sobre o programa nuclear iraniano. As perspectivas são de que os Estados Unidos não admitirão que o programa iraniano seja pacífico e exijam a interrupção da produção do urânio puro. Forçado por exigências da política interna, Obama mudou de postura e certamente virá com ameaças de retaliações muito mais severas do que as que já foram aplicadas.
Um Irã unido, fortalecido por uma boa imagem internacional, poderia fazer frente a esta ofensiva, propondo intensas supervisões pela insuspeita Agência Internacional de Energia Atômica, que aliás é favorável a esta tese. Seria uma alternativa capaz de ser aceita, especialmente por que teria a seu favor a China e a Rússia.
Um Irã dividido, tendo cerca da metade da população em revolta contra os chefões, com a imagem suja pelos episódios pós-eleitorais, pouca chance terá de ver seu pleito aceito. E aí a pergunta que fica é : nesse contexto, que chances terá a república islâmica de sobreviver ?
BRASIL X ESTADOS UNIDOS
A presença militar americana em 5 bases na Colômbia, a 4a. esquadra e a taxa sobre o etanol, confirmada por Obama, causam atritos entre o Brasil e nossos vizinhos do norte.
Embora Washington alegue que usará as bases apenas para apoiar o exército colombiano na luta contra o narcotráfico e as FARCs, sem sair do país, não é bem assim. Documento da Força Aérea dos EUA informa que, a partir da base de Palanqueros, os aviões C-17 podem cobrir metade do Continente sem necessidade de escalas.
Parece que se trata mais de uma flexão de músculos para assustar os vizinhos rebeldes. Uma forma de ameaçá-los, sem ser explícito e evitando incorrer no desgaste que esse tipo de postura traz.
A 4ª. esquadra tem existência apenas virtual. É claro, em caso de necessidade, será formada. Sem dificuldades. Enquanto isso não acontece, não passa de uma bravata. Uma forma de lembrar a Chavez e seus amigos que o braço de Tio Sam , além de forte, é longo.
Tanto as bases americanas na Colômbia quanto a 4ª. Esquadra são bem-vindas pelos fabricantes mundiais de armas. Seja por auto-defesa, seja por pressões da opinião pública e das forças armadas locais, os países sul-americanos são estimulados a reforçar seus arsenais. Como, aliás, estão fazendo.
Quanto ao etanol, é ilusório imaginar que, nesse momento de crise, os Estados Unidos iriam deixar mal os produtores de milho do Meio Oeste, cortando as taxas que os protegem da concorrência brasileira.
Embora Washington alegue que usará as bases apenas para apoiar o exército colombiano na luta contra o narcotráfico e as FARCs, sem sair do país, não é bem assim. Documento da Força Aérea dos EUA informa que, a partir da base de Palanqueros, os aviões C-17 podem cobrir metade do Continente sem necessidade de escalas.
Parece que se trata mais de uma flexão de músculos para assustar os vizinhos rebeldes. Uma forma de ameaçá-los, sem ser explícito e evitando incorrer no desgaste que esse tipo de postura traz.
A 4ª. esquadra tem existência apenas virtual. É claro, em caso de necessidade, será formada. Sem dificuldades. Enquanto isso não acontece, não passa de uma bravata. Uma forma de lembrar a Chavez e seus amigos que o braço de Tio Sam , além de forte, é longo.
Tanto as bases americanas na Colômbia quanto a 4ª. Esquadra são bem-vindas pelos fabricantes mundiais de armas. Seja por auto-defesa, seja por pressões da opinião pública e das forças armadas locais, os países sul-americanos são estimulados a reforçar seus arsenais. Como, aliás, estão fazendo.
Quanto ao etanol, é ilusório imaginar que, nesse momento de crise, os Estados Unidos iriam deixar mal os produtores de milho do Meio Oeste, cortando as taxas que os protegem da concorrência brasileira.
domingo, 2 de agosto de 2009
OBAMA E A DEMOCRACIA BRASILEIRA
No discurso de Gana, o presidente Obama afirmou que, para haver democracia, é necessário construir instituições sólidas. Este deveria ser o alvo dos africanos.
Será que o Brasil já chegou lá?
Analisando as instituições básicas de uma democracia moderna, os chamados 3 Poderes, vemos que o Executivo e o Judiciário, de um modo extremamente geral, funcionam de acordo com seus objetivos. Bem ou mal, as pessoas que os representam procuram agir tendo em vista, respectivamente, os interesses do povo e da justiça.
Já para deputados e senadores o que vale é ampliar privilégios, nomear parentes e aliados e realizar bons negócios. Para conseguir tudo isso, o caminho das pedras passa pelo apoio à presidência, quase sempre incondicional. Nos casos em que o governo é obrigado a negociar, tudo se resolve com a concessão de mais benesses.
Não dá para dizer que o Legislativo brasileiro é uma instituição sólida.
Portanto, pelos critérios de Obama, ainda não temos um regime democrático digno desse nome.
Na verdade, mesmo nos Estados Unidos, a seriedade das instituições nem sempre é para valer.
Bush foi eleito para seu primeiro mandato porque o Supremo deles validou por 5 x 4 a eleição notoriamente irregular da Florida.
Será que o Brasil já chegou lá?
Analisando as instituições básicas de uma democracia moderna, os chamados 3 Poderes, vemos que o Executivo e o Judiciário, de um modo extremamente geral, funcionam de acordo com seus objetivos. Bem ou mal, as pessoas que os representam procuram agir tendo em vista, respectivamente, os interesses do povo e da justiça.
Já para deputados e senadores o que vale é ampliar privilégios, nomear parentes e aliados e realizar bons negócios. Para conseguir tudo isso, o caminho das pedras passa pelo apoio à presidência, quase sempre incondicional. Nos casos em que o governo é obrigado a negociar, tudo se resolve com a concessão de mais benesses.
Não dá para dizer que o Legislativo brasileiro é uma instituição sólida.
Portanto, pelos critérios de Obama, ainda não temos um regime democrático digno desse nome.
Na verdade, mesmo nos Estados Unidos, a seriedade das instituições nem sempre é para valer.
Bush foi eleito para seu primeiro mandato porque o Supremo deles validou por 5 x 4 a eleição notoriamente irregular da Florida.
sábado, 1 de agosto de 2009
MAIS GAFES DO VICE-PRESIDENTE BIDEN
Biden continua inconveniente.
Depois do sinal verde para Israel bombardear o Irã, vieram provocações gratuitas à Russia. Biden ridicularizou a “economia encolhida” do país, predizendo um colapso do seu sistema bancário. E foi no embalo, sustentando que a Rússia procurava em vão agarrar-se a um passado que não volta, com a perda do seu império. Hoje, seria incapaz de influenciar seus vizinhos e só topava um acordo de redução de armas nucleares porque não tinha condições de conservá-las.
Os russos ficaram estarrecidos. E Obama também, considerando que ele acabava de voltar de uma viagem a Moscou, na qual fizera de tudo para criar um clima de boa vontade com os dirigentes do país de Tolstoi.
Querendo ser gentil, certa vez Biden disse :“Obama é o primeiro afro-americano articulado, inteligente, limpinho e com bom aspecto”. Do autor desta pérola podia se esperar que viessem outras semelhantes.
Como tem vindo.
Depois do sinal verde para Israel bombardear o Irã, vieram provocações gratuitas à Russia. Biden ridicularizou a “economia encolhida” do país, predizendo um colapso do seu sistema bancário. E foi no embalo, sustentando que a Rússia procurava em vão agarrar-se a um passado que não volta, com a perda do seu império. Hoje, seria incapaz de influenciar seus vizinhos e só topava um acordo de redução de armas nucleares porque não tinha condições de conservá-las.
Os russos ficaram estarrecidos. E Obama também, considerando que ele acabava de voltar de uma viagem a Moscou, na qual fizera de tudo para criar um clima de boa vontade com os dirigentes do país de Tolstoi.
Querendo ser gentil, certa vez Biden disse :“Obama é o primeiro afro-americano articulado, inteligente, limpinho e com bom aspecto”. Do autor desta pérola podia se esperar que viessem outras semelhantes.
Como tem vindo.
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