quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O BELICISMO DO NOBEL DA PAZ

Os aviões sem piloto, operados pela CIA, são o dernier cri da tecnologia bélica americana.
Bush inaugurou o uso desta arma, bombardeando a região do Paquistão fronteiriça ao Afeganistão para caçar talibãs ali escondidos.
Obama incrementou os bombardeios e em 8 meses fez mais do que Bush em 3 anos.
Os generais paquistaneses não gostam nada, o presidente Zardari resmunga, mas aceita, e o povo é francamente contra. Mas Obama está satisfeito. Afinal, os “drones” já liquidaram mais da metade dos líderes do talibã na região. Pena que também matem civis. Algumas centenas até agora.
Por isso mesmo, a nova arma é a principal responsável pelo grande anti-americanismo que grassa no país.
Até agora, só foi usada em regiões rurais.
Mas o exército americano, com apoio do presidente Obama, quer lançá-la contra a cidade de Queita, que seria um santuário para muitos chefes do Talibã.
Aí o governo do Paquistão acha demais. Afinal, Queita é densamente habitada. Bombardeá-la traria um morticínio de civis.
O estranho Nobel da Paz, que não vacila em lançar mísseis que atingem civis de um povos com quem não está em guerra, insiste. O Paquistão resiste. E pela primeira vez está ameaçada a cooperação entre esses dois aliados.

OS EUA ESNOBAM PROPOSTA DE PAZ DO TALIBÃ

Revela o Wall Street Journal que, em 5 de dezembro, o Talibã enviou a empresas jornalísticas um e-mail que dizia: ”Não está em nossa agenda intervir nos assuntos internos de outros países e estamos prontos a fornecer garantias legais disso se as forças estrangeiras se retirarem do Afeganistão.”
Para os analistas, estaria implícita nessas “garantias legais” a proibição do uso do território pela Al Qaeda como base para praticar ações terroristas em outros países. Sem a Al Qaeda, a guerra se tornaria desnecessária. Maravilha, não?
Não.
Em entrevista à cadeia de TV ABC, Hillary saiu com essa:” Pedimos ao mulá Omar (o chefe do Talibã) que renunciasse às relações com Bin Laden depois do atentado de 9 de setembro e ele não aceitou. Não sei por que ele haveria de mudar de idéia agora”.
Na verdade, sabe-se que as razões podem ser várias: desinteligências (já comprovadas) com a Al Qaeda tornariam exagerado o preço pago para o Talibã defendê-la; preponderância dos elementos moderados sobre os radicais; confiança em que, sem as forças estrangeiras, o corrupto governo Kasai cairia facilmente.
O que não se sabe é porque Hillary desdenhou uma proposta que evitaria a morte de muitos soldados americanos, além de gastos orçados em 100 bilhões de dólares anuais.
Alguns analistas acreditam que a esnobação de Hillary seria uma estratégia para os EUA negociarem em posição privilegiada e assim poderem fazer exigências como: expulsão da Qaeda do território afegão (e não simples proibição); desarmamento das milícias talibãs; compromisso de se integrarem na legalidade como partido político, etc
Mas há outra hipótese.
O complexo industrial-militar, que, com a guerra está lucrando horrores, não estaria disposto a aceitar uma retirada brusca que acabaria com sua festa.
Obama, através de Hillary, estaria manobrando com cuidado para, aos poucos, conseguir dobrar prováveis reações contra a paz.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

BAIXAS NAS GUERRAS DO ORIENTE

Até 12/12/2009
IRAQUE :
-soldados americanos mortos – 4.371
-idem de outras nações - 325
-idem de seguranças- 1.395
Total - 6.091
- soldados americanos feridos - entre 31.382(dados oficiais) e 100.00 (estimativa)

AFEGANISTÃO:
- soldados americanos mortos- 934
-idem de outros países da OTAN 604
Total 1.538

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O NOBEL DA GUERRA

Hoje, 10 de dezembro, Barack Obama recebe o Prêmio Nobel da Paz.
Há poucos dias, ele anunciou o envio de mais 30 mil soldados americanos para a guerra do Afeganistão, ao mesmo tempo, em que pediu a seus aliados mais 10 mil. No total serão 150 mil homens, lançados numa guerra sem propósito, cujo inimigo principal, segundo o próprio Obama, a Al Qaeda, não conta com mais de 100 combatentes, conforme os generais McChrystal, comandante em chefe no Afeganistão, e Jones, assessor de política internacional.
Há poucos meses, Obama negou-se a assinar o tratado para banir as minas terrestres, responsáveis pela morte ou perda de membros de milhões de civis em todo o mundo. Os EUA não as produzem mais, mas o presidente insiste em manter um arsenal de 10 milhões de minas terrestres. Prontas para entrar em ação.
Mesmo com estas ponderáveis contribuições á causa da guerra, Obama levou o Nobel da Paz. Seria cômico se não fosse trágico.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

ISRAEL VIOLA SEU PRÓPRIOCONGELAMENTO

Há alguns dias, o Primeiro ministro Netanyahu, anunciou o congelamento por 10 meses de novos assentamentos. Esclareceu que não incluía, aqueles em construção e mesmo os cujo planejamento já fora aprovado embora ainda não tivessem saído do papel. Assentamentos em Jerusalem Oriental – região de maioria palestina – não estavam incluídos na proibição.
Mas, mesmo esse congelamento apenas parcial não foi respeitado.
Os colonos israelenses protestaram energicamente. Numa reunião entre o Ministro da Defesa, Ehud Barak e diversos prefeitos de assentamentos, o governo decidiu aprovar diversas novas construções antes incluídas na proibição.

1 CONTRA 1.500

Justificando a guerra do Afeganistão, Obama disse que era necessária para destruir a Al Qaeda, cuja extrema periculosidade fora provada no atentado de 11 de setembro.
Daí o recente envio de mais 30 mil soldados, ao custo de 30 bilhões de dólares, para combater essa terrível ameaça.
Os homens da Al Qaeda devem ser portentosos, verdadeiros super-vilões, pois segundo o assessor de política internacional de Obama, o general James Jones e o serviço de inteligência dos EUA, eles não passam de100, em território afegão. Somando-se os reforços, teremos 150 mil soldados estrangeiros, o que dará 1.500 contra cada elemento da Al Qaeda.
Claro, não pusemos os talibãs nesta conta pois eles não representam ameaça alguma para o povo dos EUA. São apenas um movimento nacionalista que luta para expulsar as tropas que invadiram seu país. Podemos não gostar deles - são mesmo uns caras atrasados e violentos – mas Obama pouparia muitas vidas e muitos bilhões de dólares se fizesse um acordo com essa turma. Os EUA e aliados cairiam fora e os talibãs não deixariam a Al Qaeda atuar no Afeganistão. Os talibãs até que topariam – sabe-se que não estão se dando nada bem com o pessoal de Bin Laden. Quem não toparia seria o complexo industrial-militar, para quem a guerra é o Bem supremo

POVO AMERICANO CONTESTA INTERVENCIONISMO

Ampla pesquisa, recentemente realizada pelo Pew Research Center, mostra uma mudança no povo americano que passa a contestar as aventuras imperiais dos governos do seu país.
Para 49% (contra 44), os EUA deveriam preocupar-se com seus assuntos e deixar que os demais países cuidassem dos deles. Foi a primeira vez em mais de 40 anos de pesquisas que os “internacionalistas” eram em menor número.
Coerentemente, o aumento de tropas para o Afeganistão foi rejeitado por 40 a 32%.
E as prioridades de política interna são dominantes : proteger os empregos – 85%; combater o tráfico de drogas; reduzir a imigração ilegal -46%-
41% contra 25% consideraram que os EUA estão mais fracos no concerto mundial do que há 10 anos atrás.
Dentro dessa ordem de idéias, a maioria (57 x 36) acha que o exército americano vai mal na guerra do Afeganistão.
O terror deixou de ser o bicho papão principal. Apenas 11% consideram-no uma grande ameaça, enquanto 56% o minimizam.
Esses resultados vão na mesma linha dos apresentados em pesquisas anteriores que condenaram tanto a guerra do Afeganistão, quanto a do Iraque.
Obama deveria prestar maior atenção á voz da rua ao invés de continuar tão sintonizado com os rugidos das Fôrças Armadas e da indústria de armamentos e seus seguidores no Legislativo, que clamam pela continuidade das intervenções militares da Casa Branca.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

OPOSIÇÃO IRANIANA REJEITA NOVO ACORDO NUCLEAR

Aprovado pela delegação iraniana à reunião de Genebra, o acordo proposto pelas potências do Conselho de Segurança mais a Alemanha está sendo combatido pela oposição reformista.
Depois de extensas discussões internas, o governo concorda que o Irã envie o seu urânio com leve enriquecimento para a Rússia e a França onde seria enriquecido a até 20% - suficiente para usos pacíficos mas não para produzir bombas. Só exige garantias de que receberá todo o urânio a que tem direito. Ou fazendo a troca, em pequenas quantidades, em território iraniano ou usando como intermediário um país confiável, no caso, a Turquia.
A oposição reformista, protagonista das maciças demonstrações populares contra as eleições que abalaram o regime, é radical na sua rejeição.
Houssein Moussawi, ex-candidato a presidente e principal líder oposicionista, declarou :”Se o acordo de Genebra for implementado pelo Irã, ele destruirá o trabalho e as conquistas (a descoberta das técnicas de enriquecimento de urânio) de milhares de cientistas. Se não for, criará consenso para serem impostas sanções por demais pesadas sobre o Irã. Eles (a linha dura dos aiatolás) constantemente acusam os reformistas de terem laços com o Ocidente mas eles próprios se curvam abertamente diante dos EUA (para conseguir um acordo com eles).
Para Ebrahim Yazdi, líder do Movimento Pela Liberdade (um partido reformista), trata-se de um acordo sem sentido :”O Irã investiu bilhões de dólares no enriquecimento do urânio e agora vai fazer isso (enviar o urânio enriquecido para a Russia e França) ? Não é do interesse nacional que esta crise nuclear persista. Como o Irã já sugeriu, deveria ser organizado um consórcio internacional no Irã para enriquecer o urânio aqui, não mandá-lo para a Rússia ou outro país.”
Por sua vez, o aiatolá Rafssanjani, ex-presidente do Irã, também um líder reformista de destaque, enviou carta ao Supremo Líder Khamenei, lembrando o alto custo do programa de enriquecimento de urânio desenvolvido pelo país, dinheiro que seria jogado fora caso o acordo fosse aprovado. Daí sua posição contrária.
Até os políticos exilados são contra. Como Etemad, ora vivendo na França :”Eles (as potências) querem pegar o urânio do Irã. Não há garantias de que a Rússia e a França, se receberem o urânio iraniano, o devolverão (enriquecido). Eles já quebraram seus compromissos no passado.”
Nada disso parece estar sendo levado em conta pelos estadistas americanos e europeus. Eles sequer aceitam a proposta iraniana de fazer as trocas em pequenas quantidades – não todo de uma vez – em solo iraniano ou de um país confiável.
Ciente disso, El Baradei, presidente do IAEA (braço da ONU que controla os projetos nucleares) apelou ao governo do Irã para que aceite o acordo tal como foi proposto em Genebra.
Difícil. Ainda que queira, Ahmadinejad teria contra, não só grande parte dos grupos que o apóiam, com também a maioria da oposição. Praticamente todo o país, portanto.
E com fundadas razões como as que aparecem expostas acima.

OBAMA CONTRA PROIBIÇÃO DE MINAS TERRESTRES

Enterradas nos campos e estradas durante os conflitos armados, elas continuam matando e aleijando - mesmo depois da paz – não mais soldados inimigos- mas camponeses, mulheres, crianças...
As guerras civis de Angola, por exemplo, terminaram há muitos anos. Desde 2002, o governo vem realizando intensas campanhas para descobrir e retirar as minas. No entanto, calcula-se que ainda existam de 5 a 7 milhões delas no país. 80 mil angolanos tiveram suas pernas ou braços amputados e cerca de 15% da população nacional acha-se em risco.
E Angola é apenas o 3º. país mais atingido pelas minas terrestres. Somente em 2009, 26.000 pessoas em várias partes do mundo foram vitimadas.
Neste ano, a maioria dos países do mundo vai se reunir em Cartagena, Colombia, para discutir meios mais eficazes de combater esse flagelo.
Será assinado um Tratado pelo qual as nações signatárias se comprometerão a banir as minas terrestres, interromper sua fabricação e liquidar as existentes em seus arsenais militares.
Os Estados Unidos, de Barack Obama, informaram que não assinarão.
Profunda decepção entre as forças que o apoiaram, que esperavam uma “mudança” geral, contrastando com a gestão de George Bush. Protestos dos grupos de direitos humanos e dos políticos liberais.
Aplausos do Pentágono, que há muito se opunha ao Tratado, e aos republicanos contrários a todo e qualquer acordo internacional que limite a liberdade dos EUA de agir militarmente do modo que desejar.
Cada vez mais se amplia o fosso entre o Obama da campanha eleitoral e o Obama da Casa Branca.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

SERÁ QUE O PESSOAL DA FOLHA LÊ A FOLHA?

Em 20 de novembro, a Folha publicou uma entrevista com Mahmoud Abbas, o presidente da Autoridade Palestina. As manchetes eram: ABBAS QUER QUE LULA DÊ RECADO A TEERÃ. LIDER PALESTINO PEDIRÁ AO BRASIL QUE INTERCEDA JUNTO AO PRESIDENTE DO IRÃ POR FIM DE APOIO AO GRUPO RADICALISLÂMICO HAMAS
Na abertura, o repórter Samy Adghirni, repetiu a mesma coisa.
Lendo o texto da entrevista, surpresa! Na resposta à pergunta da Folha sobre as benesses do Irã ao Hamas, Abbas disse apenas isto: ”Sim. O Irã apóia o Hamas com dinheiro. Espero que ele (Lula) possa dizer (a Ahmadinejad) algumas coisas a respeito de tudo o que acontece no Oriente Médio. Acho que o Presidente o fará.”
Onde está o pedido para o Irã parar de ajudar o Hamas ?
Estranho. Aparentemente, o próprio autor da entrevista não leu seu texto. Nem Clovis Rossi, em crônica publicada no dia seguinte na qual repetiu a informação errada.
Comeram barriga também o editor de política internacional – que deixou sair uma manchete mentirosa. E o ombudsman que não corrigiu o erro clamoroso.
Na verdade, se todos esses jornalistas lessem jornais internacionais sérios, como o Independent ou o Guardian de Londres, saberiam que Hamas e Fatá estão discutindo um acordo de paz. Sendo líder do Fatá, Abbas não iria arriscar esse entendimento, tentando prejudicar o Hamas publicamente.
Ou o pessoal da Folha não lê a Folha ou, o que é pior, lê sim o que mostra que não é só com o leitor que o jornal tem o rabo preso.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

PALESTINOS AM EAÇAM ABANDONAR PROCESSO DE PAZ

O Hamas já desistiu faz tempo.
E ,agora, a OLP, o movimento laico e moderado, que vinha confiando na “mudança” da nova diplomacia americana, parece estar a fim de ir pelo mesmo caminho.
Mahmoud Abbas, seu chefe e presidente da Autoridade Palestina, entidade que dispõe de poderes administrativos limitados sobre parte da Cisjordania, ameaçou encerrar o processo de paz iniciado em 1993.
Motivos não faltam.
O primeiro-ministro Nethanyu já deixou mais do que claro que não pretende devolver os territórios ocupados por assentamentos judaicos, nem consentir na existência de um estado palestino soberano, na integral acepção da palavra.
Depois de exigir que Nethanyu interrompesse as novas construções na Cisjordania como pré-condição para se reiniciarem as conversações de paz com os árabes, Obama voltou atrás. Hillary Clinton, sua Secretária de Estado, liberou o premier israelense a continuar construindo.
O governo israelense desenvolve um programa acelerado de desapropriação e derrubada de casas árabes em Jerusalém Oriental, onde elas são maioria, para judaizar essa área e tornar definitiva sua integração no estado de Israel. Apesar da ONU considerar ilegal, Obama jamais se manifestou contra.
Recentemente, o governo Obana aliou-se a Israel para rejeitar o relatório Goldstone que condenava os crimes de guerra israelenses no ataque a Gaza. Chegou a pressionar Mahamud Abbas para que retirasse o apoio ao relatório na Comissão de Direitos Humanos da ONU.
Há quem ache que a ameaça de desistir de negociar a paz seria uma tática da OLP para forçar Obama a sair de sua atitude passiva e falar duro com Nethanyu.
Acredito que pode ser verdade. Só duvido que dê certo. Tudo indica que Obama não tem força ou coragem para enfrentar os lobbies israelo-americanos, a maioria do Senado, da Câmera de Representantes, da mídia e do pessoal do Pentágono, que são 100% pró-Telaviv.
E não abrem.

JAPONESES CONTRA BASE AMERICANA

Em 12 de novembro, o presidente Obama vai ao Japão em visita oficial.
Problemas o esperam.
O governo americano estuda remover sua grande base localizada em Ginowan, capital de Okinawa, para uma região mais afastada da ilha.
Sucede que a população local quer o fechamento da base e a saída dos 47 mil militares americanos lá estacionados.
Pesquisa do jornal Mainichi revelou que esta é a vontade de 70% dos okinawenses. Yoshi Iha ,o prefeito de Ginowan está com eles :”O futuro de Okinawa deve ser decidido por nós, o povo. Não podemos deixar os americanos decidirem por nós.” Por sua vez, o primeiro-ministro Hatoyama, eleito em agosto com promessas de tornar as relações do seu país com os EUA “mais iguais”, já se definira pelo fim da base americana. E, na semana passada, esta posição recebeu o apoio entusiástico de 21 mil pessoas em manifestação realizada em Ginowan.
Só que os EUA não estão nem um pouco dispostos a aceitar esta reivindicação. Consideram a base de Okinawa de importância crucial para manter em respeito a sempre ameaçadora Coréia do Norte e a China, adversária cada vez maior pela hegemonia da Ásia. Os opositores japoneses retrucam que a base é útil para os EUA mas não para o Japão. Pelo contrário, em caso de problemas dos americanos com aquelas potências, poderia atrair ataques chineses ou norte-coreanos ao território japonês, coisa que nunca aconteceria se ela não existisse.
O Secretário da Defesa, Robert Gates, numa atitude até mesmo imperial, conclamou os japoneses a aprovarem a remoção da base de Ginowan para uma área mais isolada da ilha ANTES de Obama chegar ao Japão.
Aposto que não será desta vez que os japoneses dirão “não” à Casa Branca. Mas o problema vai provocar ruído, o que tornará mais possível uma negativa num próximo conflito de interesses entre os dois povos.

sábado, 7 de novembro de 2009

CÃMERA DOS REPRESENTANTES DOS EUA REPUDIA O RELATÓRIO GOLDSTONE

A Câmara dos Representantes (equivale à nossa Câmara Federal) dos EUA condenou o relatório Goldstone- referente à investigação da ONU sobre a guerra de Gaza- por 344 a 36 votos.
Taxou-o de parcial, com viés anti-Israel e “indigno de qualquer consideração”. Como se sabe, o relatório Goldstone acusou Israel e o Hamas – Israel muito mais – por crimes de guerra e contra a humanidade.
Aprovado pela Comissão de Direitos Humanos da ONU, vai agora à Assembléia Geral da entidade quando se discutirá sua proposta de solicitar a Israel e ao Hamas que realizem investigações sérias (devidamente monitoradas) para se apurar culpas e culpados.
Israel fez de tudo para bloquear o relatório, contando com o apoio dos EUA, cuja embaixadora na ONU, Susan Rice, acusou-o de conter muitos erros, além de ser tendencioso, apesar do presidente da comissão de investigação, o juiz sul-africano judeu, Goldstone, ser sionista e figura altamente experiente e respeitada internacionalmente.
Embora com reservas, França, Inglaterra e Alemanha, tradicionais aliados dos EUA, conclamaram Israel a realizar as investigações propostas.
No entanto, a força do lobby israelense nos meios políticos dos EUA é tão poderosa que os deputados americanos não concordam com essa medida que resolveria a questão de forma indubitável. Sustentam que as conclusões do relatório Goldstone não tem credibilidade e que, portanto, quaisquer investigações suscitadas por elas são descabidas.
Se Obama ceder e os EUA, tanto na Assembléia Geral quanto no Conselho de Segurança da ONU, obedecerem às imposições da Câmara dos Representantes, a credibilidade do presidente ficará totalmente comprometida diante dos países árabes. E as alentadoras idéias do discurso de Obama no Cairo ficarão apenas como ‘words, words, words.”

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

PROVADO: NOVA USINA DO IRÃ TEM USO PACÍFICO

O presidente Barack Obama denunciou Quds como sendo uma usina secreta do Irã, provavelmente parte de um programa de armas nucleares.
Agências de inteligência ocidentais informaram que ali se testara avançados engenhos dessa sinistra categoria.
E o major general Yadlin, do exército israelense, garantiu que a usina “não poderia ter nenhuma utilização civil.”
Todos estavam errados.
Quds, que não era secreta pois sua existência já havia sido prèviamente comunicada pelo governo de Teerã à IAEA(Agência Internacional de Energia Atômica, da ONU), foi minuciosamente investigada pelos inspetores da agência. E a conclusão, reportada por El Baradei (presidente da IAEA): a usina “não representa nenhuma preocupação”. Seu uso pacífico estava comprovado. Fora construída com o propósito de garantir a continuidade do programa nuclear do Irã no caso de Natanz, a principal usina do país, ser bombardeada por Israel ou pelos EUA.
Os objetivos bélicos nucleares só existiam na retórica de israelenses e americanos, a qual serviu para assustar a opinião pública do país de Tio Sam. E motivou os resultados das últimas pesquisas sobre a forma de tratar o Irã, amplamente favoráveis ao bombardeio, caso a diplomacia não fizesse Ahmadinejad ceder.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

CONSUMMATUM EST

"¿Está de acuerdo que en las elecciones generales de 2009 se instale una cuarta urna en la cual el pueblo decida la convocatoria a una asamblea nacional constituyente? = Sí…….ó………..No"
Este era o texto da cédula do referendo que causou o “impeachment” do presidente Zelaya. Por acaso, há aí qualquer menção à possibilidade dele ser reeleito?
Pelo que está escrito, o povo decidiria se nas próximas eleições do mês que vem, haveria uma urna para se votar pró ou contra a convocação de uma assembléia constituinte.
No entanto, a Justiça e o Congresso hondurenhos enxergaram de outro modo. Segundo eleso que se propunha era um segundo mandato para Zelaya, o que seria proibido pela Constituição e legalizaria o afastamento “manu militari” do presidente.,
O presidente Obama e a secretária Hillary condenaram a defenestração do presidente mas tomaram cuidado em jamais usar o termo “golpe militar”. Se tivessem usado, de acordo com as leis dos EUA, teriam de cortar toda ajuda e relações, inclusive comerciais, com Honduras. O que seria desastroso para os golpistas.
E isso, eles não queriam.
Seus objetivos eram bem outros..
De um lado, marcar nova uma imagem democrática e respeitadora do direito internacional para os EUA de Obama.
De outro, manter o governo golpista durante o tempo necessário para garantir a vitória de um candidato à presidência apoiado pela elite local e seus seguidores, os militares –tradicionais aliados da Casa Branca. Com ele no poder, Honduras acabaria abandonando a Alba e não se pensaria mais em nova Constituição – que eram, na verdade, os principais demônios a serem exorcizados.
De fato, a saída da ALBA enfraqueceria o incômodo Chavez. E a Constituição que Zelaya pretendia – com reformas sociais, econômicas e políticas, favoreceria as classes pobres e cortaria as azas dos grandes proprietários e das empresas americanas, como aconteceu na Bolívia, Venezuela e Equador, recentemente.
Tudo funcionou com precisão.
O governo Obama insistiu em soluções diplomáticas, limitando-se a efetuar algumas sanções cosméticas que, é claro, não comoveram os golpistas hondurenhos.
Finalmente, há 1 mês e pouco das eleições, Washington falou grosso e os golpistas acabaram aceitando a volta de Zelaya. Mas sob condições.
Zelaya teria de aceitar que sua volta fosse aprovada por um dos poderes locais. O presidente topou, escolhendo o Congresso.
E caiu na armadilha.
Em caso de rejeição, sua causa ficaria consideravelmente enfraquecida. Talvez em definitivo.
Sendo aprovado, problema nenhum para Obama e seus aliados da direita hondurenha pois não haveria tempo hábil para Zelaya influir na campanha eleitoral, viabilizando uma candidatura forte, de um seguidos de suas idéias. Ainda mais por que teria de carregar o ônus de um “governo de unidade” (outra condição do “acordo”), recheado de adversários que não o deixariam em paz.
Assim está terminando mais um triste episódio da História da América Latina, com a vitória de Barack Obama. Em toda a linha. Conseguiu o resultado político que almejava e saiu com uma imagem irretocável.
Vale lembrar o que Evo Morales disse há alguns meses atrás. Obama e Bush seriam iguais nas suas relações com a América Latina. A diferença estaria nos métodos.
Na ocasião, achei exagerado.
Agora, não sei, não.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

DEBANDADA NO AFEGANISTÃO

Enquanto o general McChrystal pede mais 60 mil soldados americanos para o Afeganistão, países aliados tratam de se retirar da guerra.
O Canadá, tradicional satélite de Washington, anuncia que seu contingente não ficará depois de 2011. O governo não está nada satisfeito com o aumento das baixas nos últimos meses.
Pressionado pela opinião pública do seu país, o primeiro-ministro italiano Berlusconi, até agora um aliado fiel, declarou em setembro sua intenção de trazer seus soldados de volta logo que possível.
Por fim, as tropas australianas, 1.500 homens,um dos maiores contingentes no Afeganistão, também vai embora. As perdas cestão crescendo e o povo australiano reclama que o governo está envolvido de modo exagerado em uma guerra que não é dele mas apenas dos EUA.
‘Não quero ver soldados australianos no Afeganistão um dia a mais do que o necessário,” declarou Faulkner, o Ministro da Defesa. E já em novembro um terço das tropas do seu país estarão de volta para casa.
Apesar dos repetidos apelos por mais soldados feito aos países amigos pela Administração Obama, a guerra do Afeganistão está se tornando cada vez mais uma guerra exclusivamente americana.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

UMA GUERRA DESNECESSÁRIA

Para o presidente Obama, a operação no Afeganistão é “uma guerra necessária”. Logo após o atentado contra as torres gêmeas, ela foi declarada para destruir a ameaça representada pela Al Qaeda, protegida pelo Talibã quando era governo.
Por isso mesmo, poucas semanas depois de sua possa, Obama enviou mais 21 mil soldados para o Afeganistão. E, agora, atendendo a solicitação do general McChrystal deve elevar o contingente americano com outros 45 mil.
Sucede que, nos dias de hoje, a Al Qaeda não é mais aquela.
Os números não mentem jamais.
Segundo o próprio assessor de segurança nacional, o general James Jones, ela estaria reduzida a menos de 100 guerreiros e, assim mesmo, nem todos no Afeganistão.
O estudo de Marc Sageman, ex-membro da CIA, realizado em associação com o serviço secreto dos EUA, conclui que as relações dela com o Talibã vão mal. Sageman sustenta que uma eventual volta do Talibã ao poder não significaria necessariamente liberdade para a Al Qaeda se instalar no país. As perspectivas são opostas: há evidências de que os militantes da Al Qaeda são mal vistos. E é justamente devido ao isolamento que lhes é imposto pelos talibãs que a organização terrorista acha-se em completo declínio no Afeganistão.
Portanto, que ameaça Bin Laden e asseclas podem representar para a segurança dos EUA?
A resposta lógica conduziria evidentemente a uma volta para casa dos soldados americanos.

ESPIÕES ISRAELENSES NOS EUA

Num telefonema ao cientista David Nozette, alguém se declara agente do Mossad (serviço secreto de Israel), interessado em contratar seu trabalho.
Nozette não estranha, nem desconfia. Topa. Marcam um encontro e o cientista descobre que o suposto agente do Mossad era do FBI.
Claro, foi mais do que isso. Houve vários encontros, solicitações de segredos, pagamentos de subornos.
Nozette era um cientista de alto nível, detentor de uma série de segredos confidenciais de grande importância para a segurança nacional. Especialmente ligados ao setor espacial.
Mas, por que o FBI desconfiou dele? E por que seu agente apresentou-se como agente de Israel?
Existem algumas eventuais explicações.
Entre 1998 e 2008, Nozette prestou serviços de consultoria a uma empresa aeroespacial pertencente ao governo de Telaviv. Cerca de uma vez, por mês representantes da empresa israelense apresentavam perguntas ao cientista, que recebeu como pagamento um total de 250 mil dólares.
Além disso, no começo do ano, ele viajou para um país estrangeiro, levando dois pen-drives. 3 semanas depois voltou sem eles. A quem e onde teria entregue?
Esses fatos levaram o FBI a desconfiar de Nozette e, provavelmente, de possível envolvimento com Israel.
Aliás não é a primeira vez que são flagrados espiões americanos em favor de Israel.
Jonathan Pollard (cumprindo prisão perpétua) foi um deles. Roubou segredos de tal magnitude que quando o governo de Israel propôs ao então presidente Clinton sua troca por concessões no processo de paz palestino, todos os principais líderes dos serviços secretos americanos ameaçaram demitir-se em massa.
Entre outros agentes israelenses nos EUA, cite-se Bem Ami Kadish e dois dirigentes da AIPAC (ONG americana pró-Israel) : Steve Rosen e Keith Weissman.
Normalmente, um país espiona inimigos.
O governo militarista israelense não tem escrúpulos em fazer isso até ‘com amigos.

AS VÍTIMAS DOS AVIÕES SEMM PILOTO

Bombardeando com aviões sem piloto a região do Paquistão que faz fronteira com o Afeganistão, os EUA já mataram, desde 2006, entre 750 e 1.000 pessoas. Segundo pesquisa da New America Foundation, 20 eram líderes do Talibã, Al Qaeda ou congêneres, sendo que 320 não passavam de civis inocentes.
Vale lembrar que, em 2001, bombardeios de aviões sem piloto contra terroristas palestinos foram condenado pelos americanos. George Tenet, diretor da CIA na época, garantiu que sua agência somente usaria tais equipamentos para objetivos de segurança.
7 anos depois, estas promessas foram esquecidas. Especialmente pelo Prêmio Nobel da Paz, que aumentou os vôos bélicos de aviões sem piloto, levando a guerra contra pacíficos aldeões que nada tinham a ver com ela.

AINDA O RELATÓRIO GOLDSTONE

Apresento mais uma vez as principais conclusões do relatório Goldstone.
”Foi um ataque intencionalmente desproporcional, planejado para punir, humilhar e aterrorizar a população civil, reduzir drasticamente os recursos econômicos da comunidade local para poder trabalhar e prover seu sustento e , com isso, forçar uma dependência e vulnerabilidade sempre crescentes”.A comissão reportou que em 11 situações o exército israelense alvejou civis diretamente, em alguns casos “quando tentavam sair de casa, buscando locais mais seguros, agitando bandeiras brancas”. Foi verificado que quase nunca havia qualquer justificação militar para estas violências.O relatório citou outros possíveis crimes de responsabilidade dos israelense : destruir intencionalmente plantações de alimentos e serviços de água e esgotos; destruir áreas com grande número de civis com o objetivo de matar uns poucos combatentes; usar palestinos como escudos humanos e aprisionar homens, mulheres e crianças em covas. O exército de Israel também foi acusado de usar bombas de fósforo branco em áreas densamente povoadas, o que é proibido pelas leis internacionais.Foram citados alguns fatos particularmente graves como o bombardeio por morteiros israelenses de uma escola da ONU no campo de refugiados de Jabaliya, que abrigava 1.300 pessoas, com o saldo de 35 civis mortos e mais de 40 feridos.Várias vezes Israel acusou o Hamas de usar mesquitas para esconder homens armados e munições como na mesquita de Maqadmah, em Jabaliya, onde teriam sido mortos 6 militantes palestinos.Mas o Conselho de Direitos Humanos contestou essa versão, dizendo que o ataque aconteceu durante o culto da tarde, quando havia 300 homens e mulheres na mesquita, dos quais 15 foram mortos. Não houve nenhuma “explosão secundária” que indicaria a presença de armamentos. Além disso, se Israel pretendesse bombardear uma mesquita suspeita de esconder armamentos isso deveria ser feito no meio da noite, quando não estivesse vazia.Talvez um das mais graves acusações foi a de que cerca de 10 bombas, inclusive de fósforo branco, foram lançadas contra o principal edifício da ONU, em Gaza, onde 700 civis estavam refugiados. Havia um grande depósito de combustível no local mas, embora avisados várias vezes, os israelenses continuaram o bombardeio.Em outro episódio, a destruição de uma casa, com a morte de quase vinte membros de uma família, foi “a conseqüência de uma demolição intencional, não de combates”.Os palestinos foram acusados de lançar mísseis que, intencionalmente ou por negligência, atingiram zonas urbanas de Israel matando 3 civis e traumatizando toda a população local. Considerou-se também “sérias violações dos direitos humanos” assassinatos e outras violências praticadas pelo Hamas contra membros do Fatah.
O relatório Goldstone foi aprovado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, que recomendou
às partes que realizassem investigações, sob a supervisão do Conselho, para descobrir e punir os culpados. Por enquanto, o primeiro-ministro israelense limitou-se a pedir a modificação das leis de guerra, levando em conta o combate ao terrorismo. Talvez para legitimar, a posteriori, as
hoje condenáveism ações do exército israelense em Gaza.